SP mais verde, SP mais viva: a renovação urbana na capital paulista

Movimento 90º oxigena o centro da capital paulista com seus jardins verticalizados babilônicos

  • 15 outubro 2016
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Na foto, primeiro jardim vertical do Minhocão, localizado no edifício Huds. Foto: Thiago Giacobelli

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O jovem Guil Blanche, líder do Movimento 90º. Foto: Tinko Czetwertynski

O jovem paisagista Guil Blanche, 26 anos, encabeça o Movimento 90º que desde 2013 semeia, literalmente, ideias e implanta jardins em paredões de concreto, no coração de Sampa. “É preciso solucionar a carência de verde em grandes metrópoles onde também existe a forte presença das chamadas empenas cegas (paredes sem janelas e ventilação dos prédios). Nosso foco, nesse primeiro momento, tem sido o centro da cidade, onde há alta densidade populacional e caráter mais vertical da paisagem”, explica Blanche. A solução não é só genial e perfeita para dar mais vida ao visual da urbe, como também contribui para que seja efetivamente um filtro (pulmão verde) de gases poluentes e funcione como isolante térmico e acústico do entorno. Com mais de 50 trabalhos na bagagem, a trupe atua nas mais diversas escalas, mas são os modelos urbanos como o Corredor Verde do Minhocão – que promete ser o primeiro do mundo no gênero – a principal bandeira hasteada pelo movimento. 

O projeto vanguardista foi idealizado para a via expressa de arquitetura controversa da capital paulista. A pauta tem gerado burburinho e convidado a sociedade ao debate de como é possível morar com mais qualidade de vida na região central. Sem contar que a solução reduz consideravelmente a poluição sonora, e, claro, deixa menos cinza e triste aquela estrutura tida como exemplo clássico do skyline selva de pedra. “Cada parque leva conceito assinado por um artista plástico”, explica Blanche. Nomes como Pedro Wirz, Daniel Steegmann, Renata de Bonis, Paulo Monteiro e Cristopher Page são alguns parceiros que emprestaram seu olhar à composição dos grandes painéis cobertos de peperômias, bromélias, orelhas de elefante, samambaias paulistinhas, antúrios vermelhos, entre tantas outras plantas pinçadas da rica paleta vegetal catalogada para tal fim. As espécies são eleitas de acordo com a sua capacidade de se adaptarem melhor às paredes e aos muros em que são plantadas, expostas ou não ao sol, e promovem rapidamente a biodiversidade local. Quer mais? Se você gostou da ideia e quer engrossar o coro, o manual completo com passo a passo está compartilhado no site do Movimento. O intuito é que mais iniciativas abrangentes como essa possam verdejar e florescer também em outras freguesias. E, ao contrário do que prega a letra do rapper Criolo, nós torcemos para haja mais amor e brote muito verde em São Paulo.

Movimento 90°
R. Galeno de Almeida, 670, São Paulo, T(11) 94458 4067, movimento90.com