Revista Giz

02 Fev 2017 - Abr 2017

#2 | Nenhuma Nudez Será Castigada

Bruta flor do querer: projetos de casas na árvores do alemão Andreas Wenning

Arquiteto e marceneiro alemão de formação multidisciplinar, Andreas Wenning desvenda o conceito ousado de suas incomuns casas feitas sob medida para trepar em ecossistemas e árvores do mundo todo: uma delas em Curitiba, no Paraná

  • 12 abril 2017
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Projeto Treehouse A, Solling localizada em Uslar, norte da Alemanha

O tema é pouco exercitado e, portanto, gera curiosidade, interesse e, claro, polêmica: usar árvores como suporte estrutural para construir pequenos abrigos que servem, essencialmente, de apoio à morada principal. “A sociedade passa por mudanças. No momento, ao que me parece, as pessoas estão mais interessadas no ecossistema do planeta do que estavam há alguns anos. As civilizações ocidentais têm usufruído de riquezas financeiras e materiais por um bom tempo.

 “Não acredito que as casas na árvore possam ajudar a salvar o planeta. O que pode ajudar a salvar o planeta é a criação de uma nova consciência voltada para o respeito e proteção do ecossistema”

O ecossistema oferece outros ganhos, como saúde, ritmo, equilíbrio e beleza naturais”, relativiza Andreas Wenning em entrevista à GIZ. O arquiteto alemão começou sua trajetória profissional como marceneiro – habilidade fundamental na fabricação de suas casas na árvore que, em sua maioria, fazem uso da madeira como matéria-prima –, passou alguns anos atuando em multimídias, mas foi em 2003 que resolveu investir tudo o que tinha nessa especialização inusitada.

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Treehouse Solling em Uslar, norte da Alemanha

Funcionou: suas construções que ora fazem uso da própria árvore, ora são erguidas por meio de delicados pilotis e, em alguns casos, simplesmente habitam o terreno livre, extrapolaram as fronteiras da Alemanha (seu escritório, Baumraum, significa “casa na árvore”) para chegar em países como Áustria, Suíça, Hungria, Itália, Estados Unidos e até no Brasil – a Casa Girafa fica em Curitiba e o cliente, que prefere permanecer no anonimato, descobriu o trabalho de Wenning por meio de uma revista alemã.

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Casa Girafa – único projeto de Andreas Wenning em Curitiba

“Desenhei a casa aqui da Alemanha, mas ela foi totalmente construída no Brasil, com mão de obra local. Passei um mês e meio acompanhando tudo in loco. Primeiro, os marceneiros construíram a cabine principal (em madeira de jatobá e ipê), então viajei para Curitiba e fizemos, juntos, o terraço que fica anexado na árvore. Daí erguemos a casa sobre os pilotis por meio de guindaste”, explica. “A inspiração nesse caso veio do terreno: o quintal parecia um pouco com um espaço em um zoológico, então tivemos essa ideia de fazer um ‘animal caminhando’. As pernas irregulares [pilotis] me fazem pensar em uma girafa”, resume.

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Outra vista da Treehouse A, Solling localizada em Uslar, norte da Alemanha

A Casa Girafa tem 9,6 metros quadrados e seu terraço, 11,4 metros quadrados. “Pessoalmente, gosto de estabelecer um diálogo entre a construção e o meio ambiente, seja por meio do contraste ou da simbiose”, fala sobre sua visão criativa. Uma casa na árvore assinada por Andreas Wenning leva de dois a oito meses para ficar pronta e gera baixo impacto ambiental. Porém, baixo não é igual a nenhum. “Não acredito que as casas na árvore possam ajudar a salvar o planeta.

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One Oak em Halle/Westfalen, Alemanha

O que pode ajudar a salvar o planeta é a criação de uma nova consciência voltada para o respeito e proteção do ecossistema. Arquitetos do mundo todo podem contribuir com o uso de materiais que sejam mais sustentáveis, fontes de energia renováveis e ocupação inteligente das áreas ainda disponíveis”, dispara.

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Pondhouse, em Osnabrück, Alemanha, foi concluída em 2016 – fica de frente para um laguinho e tem superfície multifacetada e espelhada, de modo que a construção se camufla no meio ambiente ao refletir tudo que está à sua volta

 

Andreas Wenning
baumraum.de