Revista Giz

01 Out 2016 - Dez 2016

#1 | Edição de Estreia

Cobertura triplex com arte, design e moda da Yamagata Arquitetura

Em São Paulo, o apê de um jovem player do mercado financeiro ganhou extreme makeover pelas mãos da Yamagata Arquitetura, de Aldi Flosi. E ensaio fast-fashion pela GIZ!

  • Por:Allex Colontonio
  • Fotos:Marco Antonio + Denilson Machado
  • Stylist:Rodolfo Beltrão
  • Modelo:Gabriel Rivogatti (Elo Management)
  • 18 outubro 2016
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Persianas Uniflex e baú Arnaldo Danemberg são alguns dos destaques da sala de estar

coletividade parece ser um discurso cada vez mais em prática entre os novos players da arquitetura na casa brasileira. E quando a ação é entre amigos – incluídos aí os clientes –, o resultado sempre imprime autenticidade extra. É o caso deste apê paulistano onde, definitivamente, budget não foi problema – condição rara em época tão cara (se você imaginar que, para muito além do preço hiper-inflacionado do metro quadrado nas regiões nobres da megalópole, uma obra do artista plástico colombiano Cruz-Diez pode custar cerca de R$ 400 mil, uma poltrona Jangada, do mestre Jean Gillon sai por cerca de 70K e um sofá italiano pode ultrapassar a barreira dos R$ 100 mil). Sintonia fina, também não foi poupada na soma do todo, já que cada etapa de sua confecção foi armada a muitas mãos, desde a escolha do imóvel a cada tela pousada sobre as paredes, passando pelos dois fotógrafos que assinam os cliques que estampam essas páginas e pelo mood prêt-à-porter que GIZ injetou aqui sem nenhuma pretensão, apenas para dar uma pimenta de lifestyle e para reforçar a narrativa de algumas nuanças cromáticas – rosa, cinza, marrom e verde – que fazem o match entre moda e décor. Mas isso é coisa para ver, não para ler (e esperamos que faça sentido para você).

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A passadeira PB da By Kamy e o piso da Hakwood também estão presentes no décor

Vale começar contextualizando o histórico dos profissionais que assinam o projeto: com 12 anos de tablado, a Yamagata Arquitetura, de Niterói para o Rio, e do Rio para o Brasil, com obras de repercussão na mídia especializada, premiações e participações em mostras, já havia estabelecido sua marca. Mas Paloma, sócia-fundadora que emprestou muito mais do que o seu sobrenome para a empresa, sempre fez questão de acompanhar tudo de perto e queria retomar um formato mais handmade do business. “Já tive 30 pessoas na equipe e, inevitavelmente, alguns processos acabam correndo o risco de ficar pasteurizados, o que destoa muito da minha filosofia – e metodologia – de trabalho”, aponta. Em novíssima fase, o escritório-butique incorpora dois competentes sócios com sangue nos olhos: o designer de interiores Bruno Rangel, que atuou com a própria Paloma, ajudou a consolidar a grife entre 2004 e 2007, e retornou em 2012; e aquele que, na opinião mais do que pessoal deste que vos escreve, é a “arma secreta” do estúdio: Aldi Flosi, arquiteto, consultor de estilo, curador e set designer conhecido por produções caprichadas em revistas como AD, Casa Vogue e Casa Claudia (do qual foi editor de estilo durante oito anos). Todos participam intrinsecamente de todas as fases, mas cada um foca naquilo que faz de melhor: Paloma na Arquitetura, Bruno nos Interiores e Aldi, o “míssil”, na Finalização – em síntese simplista.

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Paisagismo viçoso de Gilberto Elkis com execução da Verde Uva; escada de aço corten execução Vidros Queiróz; futons, Futon Company;mesinha Marché Art de Vie e piso de pedra basaltina, MGR Marmoraria

Na versão triplo-X, o estúdio ganhou filial paulistana no bairro dos Pinheiros e entrou com os dois pés – sambando em salto 15 – pela porta da frente, já que seu espaço de estreia na última edição da Casa Cor SP, a Unidade Shoji 04, foi um dos pontos altos – e de exclamação – da temporada. Aberto o acesso, este apê reforça a entrada triunfal do trio no mercado residencial de alto padrão. Mais do que isso, dá um tapa na cara da (alta) sociedade que reclama que não tá fácil pra ninguém em vez de correr atrás e se reinventar (como a gente tenta fazer por aqui, a começar pela revista com pose artsy que você tem em mãos). Claro que, neste caso, a sorte fez seu papel: o dono do pedaço, jovem fera do mercado financeiro, embora não estivesse disposto a esbanjar um centavo sem necessidade, sabia que era preciso investimento tão expressivo quanto o tamanho do seu apetite pelo novo hábitat – originalmente, eram 580 m² divididos em dois pisos. Mas talvez ele tenha achado pouco e quis agregar a laje de cobertura como um rooftop panorâmico (e dá-lhe reforço estrutural de fibra de carbono para fazer de seu desejo uma ordem).

“Conhecemos a família há muitos anos. O convite surgiu durante uma viagem que fizemos juntos a Portugal e, na volta, começamos a procurar uma cobertura com vista bacana e ampla área externa. Quando estivemos com ele aqui pela primeira vez, não foi amor à primeira vista, mas identificamos grande potencial na atmosfera de casa, com terraço gramado, piscina (inicialmente enterrada) e muitas plantas. Sugerimos um estudo de reposicionamento de quase todos os cômodos e o cliente comprou a ideia.” E o imóvel, é claro.

Paredes vieram abaixo, outras erigiram. No novo layout, o primeiro pavimento ganhou charmosa sala de estar/jantar, lavabo, duas suítes, cozinha, área de serviço e dependências de funcionários, além de pequena academia e home office. Um grande living integrado ao espaço gourmet, sala de jantar, adega, sauna, churrasqueira, piscina e dois lavabos compõem o segundo piso. E uma nova escada conduz ao terraço skyline, com bar de apoio, área de estar, ducha e algumas espreguiçadeiras.

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Na varanda há chaises e sofá MU, Dedon, poltronas Astúrias, design Carlos Motta, mesas de centro e apoio, Casual Exteriores; brises de madeira accoya da Core com marcenaria S. Corrêa

Para se ter ideia da operação hercúlea que é uma reforma desse tamanho, foi instalada uma cremalheira no fundo do edifício que tinha capacidade quatro vezes maior de carga do que a do elevador de serviço para otimizar a chegada e a saída de material – o que também preservou o condomínio de alguns transtornos característicos de qualquer obra.

E qual seria o perfil do feliz, poderoso – e exigente – morador deste mirante urbano de tantas e tão bem recheadas camadas? “O cliente é jovem, tem boas referências, queria um apê descolado e com atmosfera industrial. O que fizemos foi traduzir isso para o papel, sugerindo uma peça aqui, uma obra ali, uma paleta de cores que vai do cinza/preto ao rosa, até a madeira clara”, diz Bruno. Enfim, o tal pantone que inspirou o ensaio com o “bonitón” (já que o morador, embora também belo, é low profile da derme ao tutano) que você vê nestas páginas. “Vale destacar as obras de arte que são apenas e tão-somente o início de uma coleção que promete: Tracey Emin, Miguel Rio Branco, entre outros artistas que pontuam o apartamento. “Ele participou de muito perto, o tempo inteiro. Incluindo visitando lojas, galerias de arte, de design e feiras como a SP-Arte.” Ou seja: as digitais do cara estão em cada canto. E o resultado final é uma morada urbana, densa, descolada, mas ao mesmo tempo aconchegante e com uma atmosfera de morada térrea”, conclui Aldi Flosi. Um belo (re)começo para a trinca de ouro da Yamagata Arquitetura e sua extensão paulistana, para o menino esperto – e afortunado – que vive ali, e para a GIZ, convidada a conhecer (e registrar) tudo em primeiríssima mão pra você, de um jeito só nosso.