Casa Cor Miami 2017: Em homenagem à soprano Maria Callas, Studio Skene, de Gustavo Neves, explora possibilidades da dramaturgia

Em seu espaço, arquiteto propõe a descoberta da manifestação espacial do dramático ao tecer narrativa catártica em que se fundem real e ficção

  • Fotos:Kris Tamburello
  • 1 dezembro 2017

 

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Espaço de Gustavo Neves em homenagem à cantora soprano Maria Callas

Para o Skēnē Studio que montou para a Casa Cor Miami, edição inaugural em solo estadunidense, o arquiteto-revelação Gustavo Neves pensou em uma versão remixada da melodia de Maria Callas em um ambiente cheio de personalidade, que homenageia a passagem da soprano grego-americana há 40 anos por meio da dissecação do campo semântico do dramático.

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Espaco de Gustavo Neves em homenagem à soprano Maria Callas

Os visitantes entram no espaço por um túnel de paredes escuras pontilhadas com metal e armários de pedra. Uma alusão à estrutura que, no teatro, se antepõe ao palco para a preparação dos artistas — o “skene”. As arandelas em latão e quartzo e a mesa e os bancos em pedra evocam o amor de Callas por joias. Na sala principal, o tapete preto e o papel de parede escuro complementam a instalação magnética interativa de Luis Pons — placas que recebem a malha metálica moldada pela criatividade do público. O mobiliário, que complementa o conceito criado com suas cores, formas e texturas, inclui um sofá-cama personalizado e uma tela de ébano do designer Alexander Lamont. Ainda, uma mesa lateral assinada por Neves em tampo de latão feita artesanalmente recebe uma ponta de quartzo fumê lapidado. Um biombo de palha indonésia e uma arandela em bronze no formato de orquídea, ambos também de Lamont, conferem toque de exotismo e delicadeza.

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Espaçoo de Gustavo Neves em homenagem à soprano Maria Callas

O espaço é tratado como “uma cápsula transitória em que a obra e a vida do artista se fundem, a manifestação física de tais momentos de transição entre o real e o palco, o corriqueiro e o grandioso. Um espaço que reflete o artístico e o lírico, mas também as dores e delícias do cotidiano. E, como personificação do dramático manifesto em todos os aspectos da vida, faz o arquiteto sensível alusão à figura de Maria Callas como exemplo maior da teatral relação entre a figura pública e privada”.

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O arquiteto Gustavo Neves, o dono do pedaço, registrado no espaço que homenageia Maria Callas, pelas lenes de Kris Tamburello

No ambiente, como preâmbulo do que se segue, o profissional apresenta uma instalação de lã, papel higiênico, gesso e pigmento que traz à superfície o rejeitado ou descartado. Segundo ele: “Rēiciō, ‘Rejeito’, coloca em evidência a grande massa formada por todo tipo de resíduo, detrito e sedimento que resulta da experiência humana, material ou emocional. O estuque artesanal faz-se símbolo daquilo que, tendo passado pelo árduo julgamento do consciente, é rejeitado e passa a integrar um corpo independente e reprimido, mas que exerce sua pesada influência de modo subliminar. Conota a brutalidade dos sentimentos e paixões humanos em seu estado primitivo, tornando-os ao mesmo tempo fundamento e objeto da criação artística. Em meio à rústica textura, nota-se a presença de contrastantes cordões vermelhos, como episódios vívidos e radiantes da vida, que dissolvem-se em um mar inconsciente e por ele são absorvidos. Esta interpretação tridimensional da arte dramática incentiva o toque e a interação do público”.

CASACOR MIAMI
De 1º a 18 de dezembro de 2017
Brickell City Centre – 88 SW 7th Street Miami FL 33130
Entrada inteira: US$ 25 e Meia-entrada: US$ 15
www.casacor.com.br

Gustavo Neves
@____gneves____