Bossa in Rio: arquiteta Patricia Fiuza abre as portas de seu apê e mostra um lifestyle tipicamente carioca

Natural de Brasília e antenada com as melhores referências modernistas, a arquiteta Patricia Fiuza abre as portas de seu apê e mostra um lifestyle tipicamente carioca – sem forçar a barra

  • 30 março 2017
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A arquiteta Patricia Fiuza em ambiente regido pela sua madeira predileta: o freijó

Como na canção da gaúcha Adriana Calcanhoto: “Cariocas são bonitos, bacanas, modernos, espertos, diretos e não gostam de dias nublados.” Patricia Fiuza nasceu e se criou em Brasília, mas, como outros “forasteiros” que cravaram bandeira – e raízes – na Cidade Maravilhosa, costuma dizer que tem “alma carioca.” Num bate-papo rápido, ligeiro e rasteiro, a gente descobre que, no caso dela, a biografia e o sotaque são muito mais autênticos do que qualquer música ou clichê.

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A sala de jantar, ao lado, recebeu cadeiras Cesca, clássico bauhausiano de Marcel Breuer

“Tenho uma família grande, somos em cinco filhos. Meu pai, arquiteto e advogado, sempre teve apartamento no Rio e vínhamos para cá pelo menos duas vezes por ano, até me mudar de vez”, conta. Há quase duas décadas, a arquiteta trocou a sensualidade das curvas de Niemeyer pela sinuosidade da topografia fluminense, descortinada pela janela desse apartamento que é a cara do Rio, dela e do marido, o empresário Felipe Soares. “Amo essa mistura de cidade com natureza. Cada lugar que você olha oferece um recorte diferente, em 360 graus.”

O cantinho que ela chama de seu foi escolhido a dedo numa área tranquila, perto do mar, “que possibilita que façamos quase tudo a pé e que pratiquemos os esportes que curtimos entre uma caminhada e outra”, refere-se ao mirante privé que descortina a orla e a Pedra da Gávea. Aberto, integrado, fluido, iluminado e muito bem ventilado, o espaço é praticamente um cartão de visitas do portfólio dessa arquiteta que conquistou lugar ao sol tanto pelos projetos elegantes quanto pelas mostras de décor que destacaram suas pranchetas, como quatro edições da Casa Cor Rio.

“Para nós, trazer ares de residência térrea era fundamental, já que Felipe e eu fomos criados em casas grandes, com quintal e jardim. Pensamos numa área de convivência escancarada para a cozinha, onde pudéssemos chamar os amigos, fazer um jantar mais informal, e onde tudo acontece ao mesmo tempo.” Um dos elementos que caracterizam sua assinatura, a marcenaria impecável em escalas caprichadas, se materializa em peças como o móvel branco de quase seis metros e meio que parte do living e atravessa a área social. “Gosto de usar peças maiores, que alonguem a silhueta do apartamento, que passem a impressão de que o espaço é maior do que de fato ele é. Por isso evito peças pequenas, picadas”, ensina.

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Outro detalhe da parede ripadinha em freijó

Essa sensação é potencializada pelo uso dos espelhos que “ampliam a área, agregam profundidade e ajudam a refletir a paisagem fantástica lá de fora.” Sua madeira predileta, o freijó natural ripadinho, compõe as bases claras que tanto defende nos interiores.

“Faço uma arquitetura para que as pessoas possam morar de verdade, sem cenografias. Adoro materiais naturais e uma sobriedade alto-astral, sem peças pretas (que, geralmente, entristecem a cena), por exemplo. Também aposto nas cores pontualmente, para valorizar um décor com um pouco mais de movimento.”

Na prática, isso se converte em obras de arte poderosas e cheias de personalidade, que ela e o marido foram garimpando ao longo dos anos: tem Arthur Piza, Volpi, um Picasso “pequenininho”, serigrafia de Beatriz Milhazes e trabalhos de Roberto Burle Marx, nosso artista-paisagista paulista que também caiu de amores pelo Rio e cravou muito mais do que uma bandeira por lá – como o calçadão mais bacana do mundo, o de Copacabana.

A mobília acompanha o mix modernista bossa-nova: tem poltronas do designer-surfista Carlinhos Motta, peças de garimpo do fabuloso Antiquário Arnaldo Danemberg e as cadeiras Cesca, do húngaro Marcel Breuer, um clássico da Bauhaus (elas foram desenhadas em 1928 e continuam modernas para sempre). “Também persigo uma estética autoral contemporânea, que não seja datada”, conclui. Apertando o play de novo na música da Calcanhoto, ouço: “Cariocas nascem bambas, cariocas nascem craques, cariocas têm sotaque, cariocas não gostam de sinal fechado.” Os cariocas de Brasília, como Patricia, também não.

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Fragmentos do décor com acessórios de Arnaldo Danemberg e cerâmicas Le Back

“Faço uma arquitetura para que as pessoas possam morar de verdade, sem cenografias. Adoro materiais naturais e uma sobriedade alto-astral, sem peças pretas (que, geralmente, entristecem a cena), por exemplo. Também aposto nas cores pontualmente, para valorizar um décor com um pouco mais de movimento”

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Mosaico do lifestyle elegante de Patricia que remixa Rio de Janeiro com Escandinávia

Patricia Fiuza
Av. Ayrton Senna, 2150, Rio de Janeiro,  RJ,
(21) 2108 8843.
patriciafiuza.com.br