Espetáculo “Jazz & Divas – Uma homenagem a Elza Soares” marca a reabertura do Auditório Simón Bolívar, do Memorial da América Latina

Apresentação com a Orquestra Jazz Sinfônica e grandes cantoras da MPB em tributo à diva da música popular brasileira é a metáfora da fênix que, tal e qual uma das nossas artistas mais incensadas, faz renascer o auditório mais legendário do País – com ajuda do publisher da GIZ, Allex Colontonio

  • 8 dezembro 2017

giz-4-elza-3

Neste mês de dezembro, o Auditório Simón Bolívar, do Memorial da América Latina, em São Paulo, é reaberto ao público depois de um incêndio que atingiu suas estruturas em 2013. Para celebrar o renascimento da vida pulsante no espaço – e já apontar os caminhos que o local deve rumar nos próximos anos –, no dia 16 de dezembro acontece um show exclusivísssimo com nomes veteranos e da nova geração que, em comum, compartilham, além do prestígio, da força de um discurso hasteador de bandeiras. “Jazz & Divas – Uma homenagem a Elza Soares”, é um espetáculo em que, junto à Orquestra Jazz Sinfônica, Liniker, Rosana, As Bahias e a Cozinha Mineira, Vânia Bastos, Paula Lima, Sandra de Sá, Baby do Brasil homenageiam uma de nossas maiores intérpretes. Foi idealizado, organizado e produzido pelo publisher da GIZ, Allex Colontonio, que enfim aceitou o convite do presidente da Fundação Irineu Ferraz para ser Diretor de Atividades Culturais do Memorial, paralelamente às suas atividades na plataforma.

giz-artirstas-2

“O Auditório Simón Bolívar – que no nome já carrega a importância do maior libertador das Américas – teve um protagonismo na minha formação cultural. É um dos palcos mais legendários do Brasil por tudo o que representa e por todos os shows que abrigou. Tem uma expressividade muito forte na cena artística da América do Sul, além da projeção internacional. Por aqui se apresentaram de Mercedes Sosa – maior voz da liberdade latino-americana – a Tom Jobim, passando por todos os grandes artistas do mundo”, comenta o jornalista.

giz-artirstas-1

Depois de naqueles assentos dividir memórias com paulistanos, brasileiros e visitantes do mundo todo enquanto espectador e admirador, Colontonio, como parte da agenda de exposições de arte, mostras, curadorias, bate-papos, palestras, simpósios e festivais de toda a sorte de que deveria cuidar, recebeu logo de cara a missão de gerir um evento de suma importância para a Fundação. “O presidente Irineu é um cara muito vanguardista, e procuramos trazer isto para cá também. É um velho parceiro da GIZ e já era entusiasta dos projetos que realizei aqui, desde ensaios para a GIZ, inclusive o lançamento da revista, com show do Ney Matogrosso, até outros ensaios fotográficos”, conta. Por isto, a continuidade da inovação e a superação de desafios sempre foram mote, o que resultou em um espetáculo inteiramente original, desenhado unicamente para a ocasião. “Seria muito mais fácil contratar um espetáculo de carreira, um artista que já esteja em turnê e trazer o show para cá. Mas a gente quis fazer algo muito autoral e mais exclusivo”, arremata o diretor.

giz-artirstas-3

Para eles, não haveria, então, outro nome que não Elza Soares, “uma artista que metaforicamente simboliza o renascimento”, cuja voz entona uma reconhecida canção de superação e marcha avante da música popular brasileira. “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”, um de seus maiores hits, representa o movimento proposto pela reabertura do Auditório Simón Bolívar, “esse palco legendário de 30 anos de história que ressurge das cinzas, assim como a Elza Soares, tantas vezes execrada pela opinião pública e hoje uma das artistas mais incensadas do planeta”, acredita Allex, que lembra sua consagração como a cantora do milênio pela BBC e com o álbum do ano pelo New York Times, além das turnês internacionais e o sucesso na Europa.

A apresentação, porém, não deveria ser como “A Mulher do Fim do Mundo”, um dos show mais elogiados pela crítica. “Quisemos criar um concerto que fosse sob medida para o Memorial.” E assim foi feito: junto à Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo, uma das mais expressivas do Brasil com seus 80 músicos e da própria Elza, foi eleito um conjunto diversificado e plural de cantoras, desde Rosana, um dos maiores ícones dos anos 1980 e 1990, com mais de 20 músicas emplacadas em tema de novela, à nova geração, que vem conquistando público com suas letras-manifesto e posicionamento forte, no caso de Liniker.

giz-jazz-sinfonica-1

O diretor explica a curadoria: “Baby do Brasil representa os scat singings, improvisações onomatopéicas que Elza aprendeu carregando latas d’água na cabeça em sua infância miserável (e que Baby, menina rica, aprenderia ouvindo Elza no rádio). Sandra de Sá veio pelo carioquês carregado com orgulho, pela emissão avassaladora de sua voz e pela militância racial (Elza é uma das maiores bandeiras da chamada Música Preta Brasileira). Paula Lima, tanto pela ginga quanto pelo sofisticado coté diva. Rosana faz match com Elza tanto pelo apelo pop quanto pelo seu lado B: um estilo jazzístico de improvisar com forte influência norte-americana, à moda de Aretha Franklin. Vânia Bastos, pelo apego ao samba de raiz e interpretação dos grandes mestres do passado. Liniker e As Bahias e A Cozinha Mineira, pela bandeira da diversidade, outro tema constante no canto-protesto de Dona Soares”, contextualiza.

“Quando você mistura tudo isso, traz um escopo muito eclético e panorâmico que, de certa forma, mostra essa diversidade da Elza. E também o quanto o auditório Simón Bolívar é um espaço democrático, que conversa com todas as camadas sociais e que está aberto a todo tipo de expressão e manifestação artística. E é um discurso que está na origem do criador da Fundação Memorial, do cara que concebeu isso tudo, Darcy Ribeiro”, relembra o diretor e jornalista. “Fora isso, tem a casca do Niemeyer: é um teatro de força arquitetônica absurda que foi concebido no esquema semi-arena, uma configuração muito rara. Tudo isso foi considerado na formatação desse show. De ser um espetáculo exclusivo não no sentido de excluir, porque está todo mundo convidado, mas no sentido de só acontecer aqui e em nenhum outro lugar.”

Reinauguração do Auditório Simón Bolívar
Data: 15 de dezembro de 2017
Horário: 19:30
Evento fechado somente para convidados

Entrega ao público do Auditório Simón Bolívar
Show “Jazz & Divas – Homenagem a Elza Soares”
Data: 16 de dezembro de 2017
Horário: 21:00
Ingressos à venda: www.totalplayer.com.br + bilheteria física do Memorial (a partir de 12 de dezembro)
Classificação: 14 anos
Facebook: https://goo.gl/bMMDEf