O pintor modernista Di Cavalcanti ganha retrospectiva na Pinacoteca em São Paulo

A mostra “No subúrbio da modernidade – Di Cavalcanti 120 anos” é maior realizada desde a morte do artista

  • 5 setembro 2017
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Cena de rua, 1931 Emiliano Di Cavalcanti Colección MALBA, Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires Foto: Nicolás Beraza

 A mostra “No subúrbio da modernidade – Di Cavalcanti 120 anos” é uma retrospectiva que joga luz à obra de um nomes mais importantes do modernismo brasileiro: Emiliano Di Cavalcanti. A maior exposição já realizada desde a morte do artista, em 1976, está em cartaz na Pinacoteca de São Paulo com pinturas, desenhos e ilustrações que totalizam mais de 200 obras realizadas em quase seis décadas de carreira e que hoje pertencem  a algumas das  mais importantes coleções públicas e particulares do Brasil e de outros países da América Latina, como Uruguai e Argentina.

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Mulheres na janela, 1926 óleo sobre cartão, acervo da Fundação José e Paulina Nemirovsky. Obra em comodato com a Pinacoteca do Estado de São Paulo Foto: Edouard Fraipont

Obras icônicas e outras pouco vistas estão distribuídas em sete salas do primeiro andar da Pina Luz, sob a curadoria de José Augusto Ribeiro. Segundo o pesquisador, a exposição pretende investigar como o artista desenvolve e tenta fixar uma ideia de “arte moderna e brasileira”, além de chamar a atenção para a condição e o sentimento de atraso do Brasil em relação à modernidade europeia no começo do século XX.

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Di Cavalcanti, Rio de Janeiro, RJ, 1897 – Rio de Janeiro, RJ, 1976 Bumba meu boi, 1945 óleo sobre tela 47 x 55,2 cm Coleção Roger Wright, em Comodato com a Pinacoteca do Estado de São Paulo Crédito fotográfica: Isabella Matheus

“Ao mesmo tempo, o título se refere aos lugares que o artista costumava figurar nas suas pinturas e desenhos: os bordeis, os bares, a zona portuária, o mangue, os morros cariocas, as rodas de samba e as festas populares – lugares e situações que, na obra do Di, são representados como espaços de prazer e descanso”, explica Ribeiro.

Além da atuação pública de Di Cavalcanti como pintor, a mostra destacará também aspectos menos conhecidos de sua trajetória, como as ilustrações e charges para revistas, livros e até mesmo capas de discos. Também será abordada sua condição de mobilizador cultural e correligionário do Partido Comunista do Brasil (PCB).  “Esse engajamento reforça o desejo de transformar o movimento moderno em uma espécie de projeto nacional”, completa Ribeiro.

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Di Cavalcanti Rio de Janeiro, RJ, 1897 – Rio de Janeiro, RJ, 1976 Bordel, década de 1930 óleo sobre tela 80,5 x 100 cm Acervo da Fundação José e Paulina Nemirovsky, em comodato com a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Crédito fotográfico: Isabella Matheus

A Pinacoteca prepara um catálogo que reunirá três ensaios inéditos escritos pelos autores José Augusto Ribeiro, curador da mostra, Rafael Cardoso, historiador da arte e do design e Ana Belluzzo, professora e crítica de arte. O livro trará ainda reproduções das obras apresentadas, uma ampla cronologia ilustrada e um compilado de textos já publicados sobre o pintor modernista. A expo permanece em cartaz até 22 de janeiro de 2018. A visitação é aberta de quarta a segunda-feira, das 10h00 às 17h30 – com permanência até às 18h00 – os ingressos custam R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). Crianças com menos de 10 anos e adultos com mais de 60 não pagam. Aos sábados, a entrada é gratuita para todos os visitantes.

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Di Cavalcanti Rio de Janeiro, RJ, 1897 – Rio de Janeiro, RJ, 1976 Amigos, c. 1921 pastel oleoso sobre papel 33,3 x 22,8 cm Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Permuta com o Palácio de Campos do Jordão, 1970 Crédito fotográfico: Isabella Matheus

Pinacoteca
Praça da Luz, 02, São Paulo,  T (11) 3324 1000.
pinacoteca.org.br