Revista Giz

03 Mai 2017 - Jul 2017

#3 | Água Viva

QG

GIZ invadiu o QG do ateliê Selvvva localizado no Centro de São Paulo

As arquitetas Denise Yui e Julia Rettmann são os nomes por trás da Selvvva – ateliê paisagístico cravado na lendária Galeria Metrópole

  • 28 julho 2017

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É numa manhã cinza de outono que Selvvva recebe a GIZ para bate-papo na icônica Galeria Metrópole no coração de São Paulo. O centro comercial assinado por Gian Carlo Gasperini e Salvador Candia (1924-1991) – profissionais influenciados pela arquitetura modernista – era o point de encontros, na década de 1960, que reunia os bares e restaurantes mais badalados da época. De arquitetura marcante, o prédio tem corredores amplos, aberturas centrais e varandas, além de escadas rolantes que interligam os andares. Passados os tempos de glória, o estabelecimento amargou o ostracismo junto à decadência da região. Hoje ganhou sobrevida ao abrigar estúdios de jovens criativos de toda a sorte que produzem em seus pulsantes QGs e coworkings moda, design, publicidade, arquitetura, artes plásticas entre outros que tais.

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É neste cenário efervescente que as arquitetas paulistanas formadas pela FAU/USP Denise Yui, 29, e Julia Rettmann, 30, plantam novas ideias na sua Selvvva. “A empresa começou nos fundos de uma galeria de arte nos Jardins até chegarmos à Metrópole – um dos marcos arquitetônicos de Sampa – e nos apaixonarmos pela luz e vista para a verdejante Praça Dom José Gaspar”, explica Denise.

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O conceito Selvvva é criar espaços de bem-estar onde as plantas são as verdadeiras vedetes dentro da cadeia de produção. “O nosso design surgiu muito mais da necessidade de criar soluções para as folhagens do que do próprio desenho em si. Sempre tivemos como priroridade resolver questões como a água ou terra no ambiente bem como evitar que um vaso de cimento muito pesado danifique o piso e por aí vai”, explicam.

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O projeto desabrochou para valer em 2014 como uma espécie de manisfesto, pois elas acreditavam e apostavam no ideal de deflagrar a onda verde dentro da casa. “No início éramos um trio, a arquiteta Marina Smit, também integrava a trupe, o nome Selvvva (grafado propositalmente com três letras “v”) foi conceituado no sentido de enfatizar a importância da vegetação. Queríamos mesmo que remetesse à ideia de ter uma floresta frondosa, com muito volume e em profusão em casa.” Questionadas sobre o sucesso da empreitada, elas dizem que tudo surgiu de maneira orgânica e que talvez um dos fatores do projeto ser vitorioso seja o fato de ele ter brotado no momento em que há uma busca pelo “respiro” na cidade, as pessoas querem melhorar a sua qualidade de vida. Está na ordem do dia praticar um lifestyle mais saudável e natural seja na compra de alimentos orgânicos ou na substituição do carro pelas pedaladas de bike.

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Dentro dessa caminhada por um mundo mais oxigenado foi determinante o contato anterior das sócias com as artes visuais – Denise atuava como designer na editora Abril (chegou a desenhar a saudosa revista de cultura Bravo) e Julia trabalhava em fotografia – antes de se dedicarem de corpo e alma à Selvvva. Essas experiências anteriores certamente contribuíram para que enraizassem conceitos mais consistentes – desde a criação da logomarca até o desenvolvimento e escolha das coleções de vasos, suportes, cachepôs e prateleiras entre outros acessórios que exploram formas simples e orgânicas que, antes de mais nada, respeitam a estrutura de cada vegetal.

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“O nosso espaço vai muito além da venda. Oferecemos uma consultoria sobre como cuidar das plantinhas em casa. O vendedor é treinado para investigar e entender o ambiente do cliente, se há ou não incidência de sol ou detalhes importantes como a disponibilidade de regar a espécie eleita de forma que ela se adapte bem à morada”. A intimidade com a parte botânica elas adquiriram nos cursos específicos de jardinagem do Viveiro Manequinho Lopes no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

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O treinamento deu a elas o traquejo necessário na hora de especificar antúrios, samambaias ou dracenas que melhor se enquadram na casa ou estações de trabalho. “Os ambientes claros podem receber os filodendros, costelas-de-adão e jiboias”, finalizam as rainhas da Selvvva que fazem questão de também levantar a bandeira do design acessível e plural no coração da urbe paulistana.

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