Revista Giz

03 Mai 2017 - Jul 2017

#3 | Água Viva

Exercícios Campestres

E basta contar compasso: projeto contemporâneo assinado pela arquiteta Marina Dubal, em Nova Lima, Belo Horizonte

Nas Minas Gerais, a profissional traça boa arquitetura no casarão modernista que recheia os volumes com seleção do melhor mobiliário nacional, com paisagismo de Alex Hanazaki

  • 4 julho 2017
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Par de chaises Tidelli e pufes da Franccino na varanda

Saiu do compasso da mineira Marina Dubal, graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, a morada cravada em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte. Para atender um jovem casal amante das coisas boas da vida, incluindo aí arte, design e o hábito de cozinhar para os amigos e familiares nas horas livres. “O briefing contemplava uma residência contemporânea de espaços fluidos e que possibilitasse uma grande integração entre os ambientes sem abrir mão da funcionalidade e da praticidade”, explica Dubal. Com as diretrizes em mãos, a profissional traçou uma implantação em “U” para explorar melhor o terreno.

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A lareira com mesa Chipre, design estudiobola; poltronas Kilin, Sergio Rodrigues; arandelas Tribeca Warren, Søren Rose, Wall Lamps e relógio Welby

“Nesse formato temos justamente esse núcleo interno, voltado para o belo trabalho paisagístico de Alex Hanazaki, e toda a área social e privativa se relacionam com o exterior através de grandes panos de vidro e painéis de brise de madeira fixos”. A morada de 580 m2 abraçou o seguinte programa: no primeiro andar há um grande núcleo central que engloba estar, TV, lareira, escritório e jantar integrados e com possibilidade de conexão à cozinha. “A varanda se estende ao longo dessa sede e cria um amplo espaço de transição entre exterior e interior”, ressalta. Nas laterais, de um lado estão o pavimento íntimo com três suítes e acesso ao segundo andar, onde se encontra outra sala confortável e banheiro (anexo aos hóspedes quando necessário). Na extremidade oposta, temos a ala de serviço, a garagem, a horta, o canil, e a suíte de funcionários. Também nesse espaço, com acesso independente pelo centro da casa, estão o spa com jacuzzi, ducha, banheiro e sauna integrados à piscina e ao jardim.

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Vista da sala de jantar e tapeçaria que dão colorido ao ambiente

A casa está inserida em uma região de clima de montanha, em que boa parte do ano as temperaturas são mais amenas. Como solução, a arquiteta elegeu matérias-primas mais naturais e aconchegantes, entre elas: o ipê e a pedra “escravo”, bem típica daquelas bandas. Na fachada orientada para o poente, há esse revestimento (pedra) em toda a extensão da sala e ambiente de lareira. Ele ajuda a manter o calor absorvido durante o dia e auxilia no balanço do conforto térmico à noite. O concreto, material marcante no piso e no bloco, harmoniza e ressalta a contemporaneidade do layout. A laje de nervura exposta na varanda, outro elemento presente do château, também facilita a entrada da luz natural. Papyro, bambu mossô, ipês rosa e amarelo, e jabuticabeiras são algumas espécies que ainda crescem em harmonia no terraço.

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O cão border collie Tufo descansa junto ao capim do texas do jardim que leva paisagismo de Alex Hanazaki

“O jardim frontal leva capim do Texas, uma vegetação leve, responsável pela fluidez e movimento poético ao volume arquitetônico”, explica Hanazaki, nosso paisagista que foi eleito o maior do mundo segundo a Associação Americana dos Paisagistas (ASLA), nos EUA. Os interiores são arrematados por uma seleção caprichada de nomes expressivos do design nacional. Carlos Motta, Jader Almeida, Paulo Alves, Guilherme Torres, estudiobola, só para citar alguns, fazem parte do elenco. Não restam dúvidas de que Marina Dubal fez uma leitura original, sem folclores, e celebra em grande estilo o jeito de morar mineiro dentro da bem resolvida equação que é o objeto de desejo mais cobiçado em tempos de colapso urbano: arquitetura + paisagismo + interiores com paz e calmaria. Neste caso, de quebra, tem também bolo de fubá, pão de queijo e uma canção do Clube da Esquina no ar: “E basta contar compasso, e basta contar consigo…”

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Outros recortes da morada que leva ofá Seoane Neobox, São Romão; e obra de Fernando Lucchesi, Dotart Galeria

Dubal Arquitetura e Design
dad.arq.br

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