Cobogó, o rei do borogodó

Cobogós são elementos vazados que dão um ar arejado e imprimem uma luz quase cênica aos espaços. Já faz um tempo que eles ultrapassaram a barreira das paredes e fachadas para invadir os interiores com seu mood oxigenado. E GIZ ama tanto que até sua logomarca se inspirou nesse borogodó. Confira!

  • Por:Ana Paula de Assis
  • 10 novembro 2016
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Registro da loja Aesop na Vila Madalena, em São Paulo, projeto dos irmãos Campana

Seja para facilitar a entrada da luz natural ou separar ambientes, o cobogó é um revestimento cheio de bossa que fez muito sucesso na casa brasileira nas décadas de 1940 e 1950. Embora ele nunca tenha caído de moda, para nossa alegria, ele foi resgatado com tudo e está novamente na passarela.

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Peças assinadas pelo Studio Nito tramadas com fios e resina

Quando a nossa diretora de arte, Mariana Ochs,  encomendou a logomarca GIZ, desenhada pelo craque em identidade tipográfica Rodrigo Saiani, do Estudio Plau, a referência passada foram justamente esses elementos tão presentes em nossa arquitetura. Bingo! O resultado você já conhece: nós ganhamos um traço de contorno marcante, mas ao mesmo tempo bem delicado, oxigenado, que não passa despercebido.

Genuinamente brasileiros, os cobogós foram imortalizados nas obras dos mestres Oscar Niemeyer (1917-1912) e Lucio Costa (1902-1998), e o seu nome divertido (quase um trava línguas) deriva das iniciais dos sobrenomes de Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio Góis.

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Parque Guinle, projeto de Lucio Costa. Foto: Nelson Kon

Inspirados nos muxarabis – treliças rendadas de madeira muito comuns na arquitetura árabe – os engenheiros e sócios em uma olaria criaram essa solução como alternativa para aliviar as altas temperaturas das casas, na Recife do início do século 20. A tendência que brinca com a luz e a sombra é mesmo a bola de vez. Ela parece redescoberta pela nova geração de designers e se faz presente também nos interiores da morada contemporânea.

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Mais um registro do Parque Guinle, projetado por Lucio Costa registrado pelas lentes de Nelson Kon

“Os cobogós sempre estiveram presente nos meus projetos,  eles fazem parte da escola  de arquitetura que estudei e desde sempre acreditei no potencial desse material.  Além de ser genuinamente brasileiro é uma solução  genial e de baixo custo cujo o resultado final é muito elegante. Resgatar e valorizar a essência dos materiais faz parte do DNA do meu trabalho”, finaliza o arquiteto Guilherme Torres.

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Série de cobogós assinados pela ceramista Calu Fontes

O mais bacana é saber que os cobogós transbordaram das paredes e fachadas para fazer bonito no traçado dos mobiliários daqui e lá de fora. Os top designers e big brothers Campana – que dispensam maiores apresentações – não perderam a chance de surfar nessa onda com a mesa Cobogó. Quase uma escultura, o móvel leva tampo de telha furadinha que remete ao acabamento homônimo. A peça funciona como apoio e conversa com os mais variados tipos de decoração. Bem ao gosto do freguês!

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